Início/Notícias/Estudo By-Band-Sleeve: o que mostram os resultados de 3 anos

Estudo By-Band-Sleeve: o que mostram os resultados de 3 anos

November 4, 2026
Estudo By-Band-Sleeve: o que mostram os resultados de 3 anos

O ensaio randomizado britânico By-Band-Sleeve comparou bypass gástrico, banda gástrica e gastrectomia vertical. Resultados de 3 anos e seus limites.

Qual cirurgia bariátrica funciona melhor? A maioria das comparações entre bypass gástrico, gastrectomia vertical (sleeve) e banda gástrica ajustável vem de dados observacionais ou ensaios pequenos. O estudo By-Band-Sleeve, publicado na The Lancet Diabetes & Endocrinology em 2025, é uma das maiores comparações randomizadas dos três procedimentos. Este artigo resume os resultados de 3 anos e o que o estudo pode e não pode dizer.

Como o estudo By-Band-Sleeve foi desenhado

Foi um ensaio pragmático, aberto e multicêntrico em 12 hospitais do Reino Unido, com adultos que cumpriam os critérios nacionais para cirurgia metabólica e bariátrica. Começou comparando dois grupos, bypass em Y de Roux e banda ajustável; a gastrectomia vertical entrou como terceiro grupo 2,6 anos após o início, quando já era amplamente usada no país.

Entre 2013 e 2019, 1351 pessoas foram randomizadas e 1346 incluídas no relatório; o IMC médio era 46,4 kg/m2 e 76% eram mulheres. Ao todo, 88% foram operadas. Os dois desfechos primários em 3 anos foram a proporção com pelo menos 50% de perda do excesso de peso e a qualidade de vida pelo EQ-5D.

Bypass, gastrectomia vertical ou banda: os resultados

Em 3 anos, pelo menos 50% de perda do excesso de peso foi alcançada por 68% do grupo bypass, 41% do grupo gastrectomia vertical e 25% do grupo banda. As médias do EQ-5D foram 0,72 após bypass, 0,68 após gastrectomia vertical e 0,62 após banda.

Foram registrados 1651 eventos adversos após a cirurgia: 6,0 por ano após bypass, 5,7 após gastrectomia vertical e 4,6 após banda. Houve 11 mortes até 3 anos: uma atribuída à cirurgia, no grupo banda durante a internação cirúrgica, e dez não atribuíveis. Na análise econômica, o bypass foi a opção mais custo-efetiva.

O que os pesquisadores concluíram

Os autores concluíram que o bypass e a gastrectomia vertical foram mais eficazes que a banda, e que a gastrectomia vertical teve menor perda de peso e menor qualidade de vida média que o bypass. Por isso recomendam orientar o bypass a quem opta pela cirurgia, oferecendo a gastrectomia vertical quando o bypass for contraindicado ou inviável. Afirmam que a evidência não apoia a banda ajustável como tratamento padrão da obesidade grave. O estudo foi financiado pelo NIHR do Reino Unido.

Pontos a considerar

Os resultados têm peso por virem da randomização, e não da comparação de pacientes escolhidos para cirurgias diferentes. Há limites: o estudo foi aberto; o grupo de gastrectomia vertical entrou depois e é menor; nem todos os randomizados foram operados; os resultados são de 3 anos. A escolha também depende de refluxo, comorbidades, preferências do paciente e experiência da equipe, o que uma média não capta totalmente.

Este artigo tem finalidade educativa geral para profissionais de saúde e não constitui aconselhamento médico. A escolha do procedimento cabe ao paciente junto com a equipe multidisciplinar.

Fontes: - By-Band-Sleeve Collaborative Group. Roux-en-Y gastric bypass, adjustable gastric banding, or sleeve gastrectomy for severe obesity (By-Band-Sleeve): a multicentre, open label, three-group, randomised controlled trial. Lancet Diabetes Endocrinol 2025;13(5):410-426 (doi:10.1016/S2213-8587(25)00025-7) - Full text, open access (CC BY 4.0)00025-7)